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terça-feira, 27 de novembro de 2018

Guardadora de rebanhos

Queria me reconciliar com a literatura que sou
Com as emoções e com as ideias
E ir por elas invencível
Não sei das pessoas e não estou nem aí
Só sei do meu tempo perdido
Quero resgatar o frenesi da criação da espontaneidade da alegria genuína do sorriso à-toa
Gosto da ideia de que ainda tenho muita arte pela frente
A desbravar
Gosto do momento que é olhar para o futuro com esperança
E não negar o que se é
Gosto da lealdade do meu coração. Às vezes é como se eu recrutasse as pessoas para a minha guerra.
Alguns caem. Uns lutam distantes, mas eu sei que estão ali. Quando eu levanto uma bandeira de vitória é com eles que comparto as alegrias. E está tudo bem.
Gosto de saber que está tudo bem, gosto de saber da natureza do universo.
E de não colocar vírgulas. Nem pontos finais
Gosto desses sonhos grandes com comichões para se realizar.
Não sei desde quando escrevo tão eu.
Me sou e sei.
Graziele Pessoa.

(Rs)

Ps. Mania boba de imitar o escrever alheio. O meu preferido sempre foi o da natureza.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Muito Rosa

Queria abrir a cabeça para entender o Total
Uma das frases que mais ficou na minha cabeça
Além da não abertura - em definitivo - da ideia para o Total
Foi aquela do cavalo
Cavalo que ama o dono até respira do mesmo jeito
Quando li primeira vez me pareceu mais um provérbio
Daqueles que a gente troca o todo pela ideia e ideia pelo todo
E o que significa mesmo ninguém sabe
Como aqueles de ideia errada
Me ame quando menos merecer
Um dito impregna
Mas no que eu sempre gostei de Rosa
Foi que quando eu li eu já me entendi
A fineza de contar uma história
Que o entender não é literal nem racional
O entender vem do fundo lá do fundo
O conhecer vem de dentro vem do mundo
Saudade de sentir bem quando o coração se desdobra
Foi toda uma viagem longa de grande beleza que ainda me lembro até hoje.
segunda-feira, 28 de maio de 2018

O chamado da floresta


             Quando era muito mais jovem do que sou hoje (rs), talvez criança quiçá entrando na adolescência eu li um livro chamado "O chamado da floresta".
         Falava sobre cães-lobos e como em algum momento eles eram "chamados" pela floresta. Eu não me lembro da história. Mas, eu me lembro particularmente do nome e como esse nome me tocou, de tal forma, que até hoje eu me lembro.
           Pensando em propósitos de vida, o nome desse livro me surgiu na cabeça novamente. Quantos anos atrás que li esse livro? Talvez 15 anos atrás. Na época talvez eu nem tenha entendido o porquê do livro. Eu não tinha entendido a proporção metafórica do que era "o chamado da floresta". Mas me causou uma impressão curiosa, o significado do livro era tão mais profundo que eu mal fazia ideia.
        Hoje fiquei pensando no meu propósito. Quantos anos eu demorei para encontrar. Ou se é que realmente encontrei. Talvez 15 anos? Mais de oito certamente. Mas talvez a palavra não seja "demorei". São os anos que levei, que tinha que levar para encontrar. Quando o chamado não vem no tempo que você acha que deveria, mas no tempo que tem que vir. Quando você está talvez, emocionalmente pronta para aceitar e levar a carga, quando você aprende sanamente a compartir com luz.
             "O momento certo" é o tempo de cada um no seu percurso consciente.
           Esses dias estava chateada por ser sempre mediana no que escolhi fazer. No que escolhi estudar na vida. E simplesmente eu me pegava pensando "por que eu escolhi algo que claramente não está no meu propósito?".
         Dado um lugar onde habita o dono, de onde o cão foi tirado, ele não escolhe se deveria ficar ou ir. Ele simplesmente aceita, no tempo que for, o chamado da floresta e vai para cumprir sua missão. E a jornada é um reencontro com o seu eu primitivo, instintivo, original. Soa cursi, soa cool.
           Era um caminho que deveria ser percorrido, era um caminho que nele estavam as respostas.
            É como um texto. Eu definitivamente não me obrigo a escrever. Mas vem na cabeça de tal modo que escrevo mentalmente até o ponto de ir escrever em algum lugar.
             Talvez cada escrita seja um chamado da floresta.

 
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